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05/10/2009 - 08h21

Historicismo indigenista? Fé demais!

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Divulgação
Valfrido Medeiros Chaves.
Valfrido Medeiros Chaves.

Sem dúvida a futurologia é uma ciência desacreditada, prova é que os maiores  fenômenos históricos da segunda última metade do século passado, ou seja, a ruína do comunismo no Leste Europeu e a adoção da Economia de Mercado na China foram imprevisíveis, não obstante tantas  equipes voltadas para o estudo dos referidos universos em mutação. Mas há quem ainda se arrisque, como o velho ditador Fidel Castro, quando afirmou que "recuperaremos na América Latina o que perdemos no Leste Europeu", portanto, expressando sua esperança profética no ressurgimento do sistema comunista nestas plagas ao Sul do Rio Grande. Com o perdão pelo cacófago, só mesmo fé demais, negando o repúdio generalizado ao sistema fracassado, por parte dos povos que o experimentaram em sua própria alma e... estômago. Creio não haver pessoa inteligente e de livre pensar que não se interrogue: mas como é possível negar tais fatos, a obviedade de um fracasso generalizado de uma experiência que durou 90 anos, à custa de assassinatos em massa, torturas e total supressão das liberdades?

 

Como se nega os fatos, leitor? Muito simples, com uma simples firula teórica!! O comunismo teria fracassado devido a um erro da prática que, até por isso, comprovaria o acerto da teoria marxista-leninista, que previa e preconizava seu estabelecimento nos países que atingissem a última etapa do regime capitalista. Ou seja, nas economias desenvolvidas, como França, Inglaterra, Estados Unidos, Alemanha. Como o comunismo se instalou em economias pré-capitalistas, o fracasso da experiência estaria, portanto, comprovando o acerto da teoria. É mole? É fé demais e quanto mais  fé é demais, há que se buscar o apoio da Psicologia para compreendê-la.

 

Nesse sentido, temos que partir do princípio de que Marx e Lênin fundaram o "historicismo", isto é, uma concepção segundo a qual a História é dotada de sentido. Tal como os seres vivos nascem, crescem, envelhecem e morrem, a História e a humanidade passariam pelo feudalismo, o capitalismo e o socialismo. Essa se tornou uma concepção absoluta, uma crença que colocava o militante da causa numa posição profética, dono da verdade, do bem e do futuro humano. As outras concepções seriam à-históricas, contrárias à humanidade e, portanto, criminosas. Assim foi por 90 anos. Ao imbuir-se de tais concepções, o indivíduo sai de sua insignificância pessoal, tornando-se "agente da História", para o qual é verdade e moral tudo aquilo que promove a "práxis" no sentido da "marcha da humanidade". É algo equivalente à "dependência psicológica" das drogas, que só faz sentido para as personalidades pré-mórbidas, ou seja que saem de estados de impotência e insignificância através da magia química. Assim é a droga ideológica  e onipotente diante da qual, tal como a droga comum, a experiência real não tem nem um significado. Vale a crença, o principio do prazer, o prazer do poder, do "eu tudo posso", que vai da mentira ao mensalão, ao narco-terrorismo e às mais deslavadas formas de apoio a tais manifestações da "práxis" historicista. Por isso, dividir a Polônia com Hitler, assassinar 5000 oficiais poloneses no Bosque de Katin, foram "praxis" das quais os camaradas devem se orgulhar...

 

Aqui em MS, tal práxis, através da Funai e outros aparelhos estatais, busca criminalizar a história de nossas fronteiras, nos reduzindo a invasores de terras indígenas, para cristalizar rancores entre as comunidades, levando ao isolamento de nossos povos indígenas. Por isso não se pode comprar terras para a expansão das aldeias, pois tal solução não planta conflitos e rancores. O MPF não pergunta quem sumiu com o projeto de plantar 1.200.000 mudas de erva mate, manga e caju para os guaranis e terenas, projeto sob coordenação do Eng. Aroldo Figueiró. Parece que índio plantando, prosperando e integrado com a sociedade em geral não interessa a planos "históricistas-leninistas" em curso, através de "identificações de terras indígenas" que inviabilizam indenização a proprietários legítimos e plantam impasses. É o que se passa, são os fatos, mas que importam os fatos, diante do grandioso projeto das "Nações indígenas" em nossas fronteiras? Afinal, "aguçar as contradições e os conflitos" não é a mais nobres das ações políticas de quem comanda nossa política indigenista? Quem desmente a miséria do historicismo em MS?


Por Valfrido M. Chaves 
Psicanalista, Pós Graduado em Política e Estratégia, Adesg/UCDB

 

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