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A cheia do rio Paraguai deste ano é comparável às ocorridas em 2001 e 2005, anos mais secos da década que se encerra. A informação é do pesquisador Ivan Bergier, da Embrapa Pantanal, que acaba de realizar a segunda previsão de cheia com o Modelad (Modelo de Previsão do Nível do rio Paraguai em Ladário). O modelo utiliza a medição da régua de Ladário, cidade vizinha a Corumbá (MS), e a série histórica de dados coletados desde 1900 pela Marinha do Brasil.
A Embrapa Pantanal (Corumbá-MS), Unidade da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária - Embrapa, vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, divulgou a primeira previsão de cheia com o novo modelo na primeira semana de abril.
Segundo ele, o verão de 2008-09 foi caracterizado por fortes tempestades em Santa Catarina, seca no Oeste das regiões Sul e Centro-Oeste e por elevada precipitação nas regiões Nordeste e Norte. Tudo isso sugere um forte indício da influência do fenômeno do El Niño Oscilação Sul (ENOS ou ENSO em inglês) em sua fase fria, isto é, Oceano Pacífico Equatorial mais frio ou condição de La Niña. "No Pantanal, em especial, pode também haver uma relação com padrões de oscilação atmosférica no Oceano Atlântico Norte (NAO em inglês), regulando a entrada de ventos e umidade pelo norte em direção ao centro-sul do continente sul-americano, auxiliado pela cordilheira dos Andes", disse.
Essas relações conhecidas por teleconexões climáticas são objeto de estudo da Embrapa Pantanal. As previsões do nível mínimo em 2009, uma extensão do Modelad para o período de vazante da planície do rio Paraguai, deverão ser divulgadas a partir do segundo semestre.
IMPACTOS
O Pantanal terá menor quantidade de peixes neste e nos próximos anos, segundo a pesquisadora Emiko Kawakami de Resende. De acordo com ela, a produção de peixes na região está diretamente relacionada à cheia.
A pesquisadora Sandra Aparecida Santos, que trabalha com pesquisas sobre pecuária, disse que os impactos na produção das pastagens são variáveis. "Há regiões que podem ser beneficiadas e outras prejudicadas."
No Pantanal, as pastagens são dinâmicas e dependem da distribuição das chuvas que ocorrem na região norte e sul, como também da localização da propriedade (se sofre influência de inundação fluvial e/ou pluvial).
Segundo ela, o mais preocupante são os focos de incêndio em áreas de pastagens localizadas na beira dos rios, que neste ano começaram mais cedo.
DECOADA
A pesquisadora Márcia Divina de Oliveira, especializada em ecologia de rios e áreas inundáveis, afirma que a `decoada` não deverá ser significativa em 2009, por conta do baixo nível das águas na cheia.
"Como o nível do rio deverá ficar em torno de 3 metros, não ocorrerá `decoada` em grandes escalas. Ela tende a ser mais forte quando o nível do rio passa dos 3 metros, o que aumenta a interação entre o rio Paraguai e a planície. A decoada consiste principalmente por alteração nas características da água, com ênfase na baixa concentração de oxigênio dissolvido, resultante da decomposição da matéria orgânica seca inundada na planície quando as águas sobem", explica. Costuma causar a mortandade de peixes.
Fonte: Embrapa Pantanal
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