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Às vezes tendemos a pensar que, para entender de meio ambiente e mudanças climáticas é preciso estudar muito, fazer cursos no exterior, colecionar pós-graduações ou debruçar-se sobre uma tonelada de livros. Ledo engano. Basta conversar com as pessoas que vivem na florestas, chamadas de “povos da floresta” pelo saudoso Chico Mendes, para sabermos que as mudanças climáticas são uma realidade.
O projeto Testemunhas do Clima, da Rede WWF, busca promover a troca de informações sobre clima e uso dos recursos naturais. Para isso, comunidades em diversas partes do mundo são ouvidas sobre sua percepção sobre mudanças climáticas. Este ano, visitamos a comunidade de Manoel Urbano, no interior do Acre, que tem na pesca uma de suas principais fontes de alimentação e renda.
Por lá, a opinião dos pescadores e de suas famílias é unânime. O tempo está mudando, a época da reprodução dos peixes está diferente, o pulso do rio está alterado e os períodos de seca e chuva já não são os mesmos de 20 ou 30 anos atrás.
O pescador José Amaro, nascido e criado na região, relata uma mudança que tem percebido: “Quando tinha de sete a dez anos de idade, ia pescar com meu pai e a gente apanhava três ou quatro tambaquis de cada vez. Agora, a gente pode sair por 30 dias que não vê nenhum tambaqui. Mudou tudo, né?”. O pescador integra um grupo que promove o manejo da pesca, com apoio do Governo do Acre e do WWF-Brasil, para disciplinar a captura do pirarucu e assegurar a sustentabilidade da atividade pesqueira.
José Amaro destaca que, com o desmatamento, não apenas o clima fica mais quente, como também a pesca piora e os animais da floresta, acuados, se refugiam em áreas urbanas. A consequência é a diminuição da qualidade de vida das populações. “Na floresta tem sempre um vento gostoso, a gente sempre se sente bem aqui. Esses dias fui a Rio Branco e quase me sufoquei de tanto calor, porque tiraram a floresta de lá pra fazer a cidade. Eu nasci na floresta, ela é minha vida”, comenta.
Por Bruno Taitson (Publicado no site wwf).
*embora a reforma ortográfica tenha determinado a utilização do termo “acriano” em lugar de “acreano”, o WWF-Brasil tem optado pelo uso da palavra com o “e”, em sintonia com a maneira como a população do Acre tem adotado.
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